Capítulo 7: Escalas
Neste capítulo abordaremos um assunto de vital importância não só pro contra-baixo, mas assim como para todos os instrumentos de corda: As tão faladas escalas musicais.
Podemos iniciar afirmando que nas escalas, suas notas representam graus, e estão separados por intervalos convencionados. Cada tipo de escala possui uma característica melódica própria que a identifica e a individualiza. A melodia de uma escala é definida pela disposição dos intervalos e por sua quantidade de graus. E a combinação posição - quantidade que padroniza sua melodia, sendo estabelecida por fórmula.
Toda escala é constituída sobre uma "nota base" que passe a ser o seu primeiro e principal grau. A função deste grau fundamental é denominada Tônica, se repetindo no último grau da escala. A propósito, a palavra diatônica , significa "concordando com a tônica".
- O Sistema diatônico é constituído somente por intervalos convencionados em tom e semitom:
Tom (t): É o intervalo formado por dois semitons, resultando num tom "Inteiro".
Semitom (s): É o intervalo de "meio-tom"; o prefixo "semi" significa metade.
ESCALA MAIOR NATURAL
As escalas diatônicas possuem 5 intervalos de tom e 2 intervalos de semitom, dispostos entre seus 8 graus. O "modo" como esses intervalos são organizados gera uma melodia própria para cada escala.
No caso da escala maior natural, a configuração de seus intervalos refere-se ao modo jônico e, a classificação maior, ao intervalo entre a tônica e o terceiro grau que é de dois tons (terça maior). A sonoridade melódica das escalas maiores nos induz a extroversão, ao entusiasmo e a euforia.
Fórmula da Escala Maior Natural:
T II III IV V VI VII T
t t s t t t s
Os nomes dos graus se definiram conforme suas posições na escala, determinando suas funções:
- Tônica: Grau fundamental que nomeia a escala e define seu Tom.
- Sobretônica: Grau acima da tônica.
- Mediante: Grau do meio entre a tônica e a dominante, define a classificação maior ou menor.
- Subdominante: Grau abaixo da dominante.
- Dominante: Grau que "domina" o Tom. É o grau mais importante depois da tônica.
- Submediante: Grau do meio entre a tônica oitavada e a Subdominante.
- Sensível: Grau que precede a tônica em um semitom e pede complemento da mesma.
- Oitava: Repetição da tônica, porém com o dobro da freqüência sonora (Hertz).
A tônica é o pólo de repouso da melodia da escala. A dominante, em oposição, é o pólo de tensão.
A escala de C Maior Natural é considerada perfeita por ser composta apenas por notas naturais. O Temperamento permitiu a toda nota musical poder ser eleita tônica de qualquer tipo de escala. Na estruturação de uma escala sobre uma tônica qualquer, se faz necessário alterar certas notas por meio dos acidentes, para obedecer, desta maneira, a fórmula interválica da escala requerida.
A transposição tonal de uma escala consiste em adotar uma nova tônica, e manter a formação original de seus intervalos, ou seja, apresentam-se tônicas diferentes para o mesmo padrão modal. A teoria sobre esse processo será adequadamente detalhada no capitulo relativo ao sistema tonal.
A escala Maior Natural é a mais importante do sistema diatônico, pois é o alicerce fundamental para entender os encadeamentos de escalas, construções de acordes e progressões harmônicas.
OBS:
A aplicação de escalas requer um embasamento teórico amplo e amadurecido, porém, adota-se primeiro este critério básico: "Aplica-se uma escala sobre os acordes que esta pode gerar".
Aplicação da escala maior: acordes maiores (6, 7M, add9, 6/9, 7M/9, 6/7M, 6/7M/9).
ESCALAS MENORES
As três principais escalas menores usadas na Música são: a Natural, a Harmônica e a Melódica. As escalas menores são assim classificadas devido ao intervalo de um tom e meio configurado entre a tônica e o terceiro grau (terça menor) característica comum a todas escalas menores. Sob este aspecto apresentam um semitom a menos que o intervalo correspondente nas maiores. A melodia de uma escala menor, geralmente nos induz a introversão, a melancolia e nostalgia.
A escala menor natural tem a organização de intervalos idêntica à configuração do modo eólio. A escala menor natural (eólica) pode ser obtida partindo-se do VI grau da escala maior natural. De outro modo, pode-se obter a escala maior natural, partindo do III grau da escala menor natural. Esse elo de congruência, é o referencial que torna essas 2 principais escalas diatônicas relativas, pois ambas, embora possuam fórmulas diferentes, compartilham exatamente das mesmas notas.
Fórmula da Escala Menor Natural
T II IIIb IV V VIb VIIb T
t s t t s t t
Aplicação da escala menor natural: Acorde menor "tríade" ou (m7, m7/11, m7/9, m7/9/11).
è A partir de adaptações sobra a escala menor natural derivaram-se duas outras escalas menores, as quais requerem embasamento em estudo sobre harmonia básica para um melhor entendimento.
A escala menor harmônica foi convencionada para reestruturar o campo harmônico menor. O sétimo grau na escala menor natural está a um tom da oitava, denominando-se "subtônica". O grau na condição de subtônica, atenua a tensão melódica ascendente da escala para a oitava. Sustenizou-se a subtônica promovendo-a a sensível, naturalmente complementada pela tônica. Como conseqüência harmônica, o acorde dominante menor converteu-se para maior, aumentando assim seu efeito tensionador e, resolvendo de maneira mais convincente sobre o acorde de tônica.
Fórmula da Escala Menor Harmônica
T II IIIb IV V VIb VII T
t s t t s ts s
Aplicação da escala menor Harmônica: Acordes menores (m9, m7M, m7/11, m7M/9).
A escala menor melódica é resultado de uma adaptação feita sobre a escala menor harmônica. Esta última, por apresentar o intervalo de tom mais semitom entre os seus sexto e sétimo graus, era uma exceção ao sistema diatônico, predominante na época, tornando-a de difícil entonação. Para reconciliá-la ao diatonismo e suavizar seu fluxo melódico, elevou-se o VI grau dá harmônica em um semitom, resultando na escala menor melódica.
Devido ao destensionamento melódico que ocorre no sentido descendente das escalas, é desnecessário manter esse padrão, além disso, comparando a fórmula da menor melódicas com a da maior natural, ambas diferem só no III grau. Por este motivo, para melhor distinguí-las no sentido descendente, usa-se a escala menor natural. No padrão convencional acende-se, escala menor melódica e descende-se, escala menor natural.
Fórmula da Escala Menor Melódica
T II IIIb IV V VI VII T
t s t t t t s
Aplicação da escala menor melódica: Acordes (m6, m7M m6/9, m7M/9, m6/9/11, m9/11).
Capítulo 8 : Modos
Outro assunto que complementa as escalas são os Modos. As características sonoras de cada modo podem ser transportadas para qualquer tonalidade, desde que sua seqüência de intervalos original não seja alterada.
Na verdade, isso produz cinco novas escalas – e não sete, já que o Jônio e o Eólio coincidem com as escalas diatônicas naturais maior e menor respectivamente. Essas cinco novas escalas constituem alternativas à estrutura melódica e harmônica das escalas diatônicas.
Modos e escalas possuem aplicações diferentes. As escalas determinam a harmonia e os modos expressam as variações melódicas. Para se saber se um modo é maior ou menor basta olhar para o intervalo entre a 1ª e a 3ª notas. O Lídio e o Mixolídio são, na verdade, maiores, enquanto o Dórico e o Frígio são menores. O Lócrio é incomum, na medida em que seu acorde de tônica é "Diminuto". A atmosfera geral do modo pode ser ouvida executando-se acordes construídos sobre seus graus, apenas com as notas que o modo contém.
Foi o predecessor da escala maior diatônica. Possui a mesma seqüência de intervalos e, portanto, a mesma sonoridade.
É um modo menor. Difere da escala menor natural (eólio) apenas na 6ª nota, que recebe um sustenido. Muito adequado para seqüências de acordes menores (por exemplo Im, Iim, III, IV, Vm, VII), que adquirem assim, um toque jazzístico.
Outro modo menor, praticamente idêntico à escala menor natural (eólio), exceto na 2ª nota, que é bemolizada (Db). Esta nota é ouvida como "9ª bemolizada" quando acrescentada a um acorde de tônica com sétima menor.
Uma escala maior. Difere da maior diatônica (jônio) por possuir um sustenido na 4ª nota. É uma escala maior com (#4).
A escala mixolídia possui a 7ª nota bemolizada. É o que diferencia da escala maior diatônica (jônio). Na verdade, trata-se de um dos modos utilizados com maior freqüência para improvisação no Blues e no Jazz.
Este modo foi o predecessor da escala menor natural diatônica. Possui a mesma seqência de intervalos e, portanto, a mesma sonoridade.
Todas as notas desta escala são bemolizadas, com exceção da tônica (I grau) e da 4J (IV grau). Dos sete modos este é o menos utilizado na música ocidental, mas desempenha um papel importante nas músicas Indiana e Japonesa.
Modos e seus intervalos
JÔNIO - T 2M 3M 4J 5J 6M 7M 8J
DÓRICO - T 2M 3m 4J 5J 6M 7m 8J
FRÍGIO - T 2m 3m 4J 5J 6m 7m 8J
LÍDIO - T 2M 3M 4aum 5J 6M 7M 8J
MIXOLÍDIO - T 2M 3M 4J 5J 6M 7m 8J
EÓLIO - T 2M 3m 4J 5J 6m 7m 8J
LÓCRIO - T 2m 3m 4J 5dim 6m 7m 8J
Modos originados pela escala Maior
Modo Jônio - C – D – E – F – G – A – B – C
Modo Dórico - D – E – F – G – A – B – C – D
Modo Frígio - E – F – G – A – B – C – D – E
Modo Lídio - F – G – A – B – C – D – E – F
Modo Mixolídio - G – A – B – C – D – E – F – G
Modo Eólio - A – B – C – D – E – F – G – A
Modo Lócrio - B – C – D – E – F – G – A – B
Modos, posição vertical
Jônio 1
--------------------------------------------6---7---9----------------
-------------------------------6---7---9-----------------------------
------------------5---7---9------------------------------------------
-----5---7---9-------------------------------------------------------
Jônio 2
--------------------------------------------4---6---7----------------
-------------------------------4---6---7-----------------------------
-----------------4---5---7-------------------------------------------
------5----7---------------------------------------------------------
Jônio 3
--------------------------------------2---4---6----------------------
-------------------------2---4---6-----------------------------------
-------------2---4---5-----------------------------------------------
--------5------------------------------------------------------------
Dórico 1
--------------------------------------------5---7---9----------------
-------------------------------5---7---9-----------------------------
------------------5---7---9------------------------------------------
-----5---7---8-------------------------------------------------------
Dórico 2
---------------------------------------------4---5---7---------------
-------------------------------4---5---7-----------------------------
---------------------5---7-------------------------------------------
------5---7---8------------------------------------------------------
Dórico 3
--------------------------------------2---4---5----------------------
-------------------------2---4---5-----------------------------------
-------------2---3---5-----------------------------------------------
--------5------------------------------------------------------------
Frígio 1
--------------------------------------------5---7---9----------------
-------------------------------5---7---8-----------------------------
------------------5---7---8------------------------------------------
-----5---6---8-------------------------------------------------------
Frígio 2
---------------------------------------------3---5---7---------------
-----------------------------------5---7-----------------------------
---------------------5---7---8---------------------------------------
------5---6---8------------------------------------------------------
Frígio 3
----------------------------------------2---3---5--------------------
---------------------------2---3---5---------------------------------
-------------1---3---5-----------------------------------------------
--------5------------------------------------------------------------
Lídio 1
--------------------------------------------6---8---9----------------
-------------------------------6---7---9-----------------------------
------------------6---7---9------------------------------------------
-----5---7---9-------------------------------------------------------
Lídio 2
--------------------------------------------4---6---8----------------
-------------------------------4---6---7-----------------------------
-----------------4---6---7-------------------------------------------
------5----7---------------------------------------------------------
Lídio 3
--------------------------------------2---4---6----------------------
-------------------------2---4---6-----------------------------------
-------------2---4---6-----------------------------------------------
--------5------------------------------------------------------------
Mixolídio 1
--------------------------------------------6---7---9----------------
-------------------------------5---7---9-----------------------------
------------------5---7---9------------------------------------------
-----5---7---9-------------------------------------------------------
Mixolídio 2
--------------------------------------------4---6---7----------------
-------------------------------4---5---7-----------------------------
-----------------4---5---7-------------------------------------------
------5----7---------------------------------------------------------
Mixolídio 3
--------------------------------------2---4---6----------------------
-------------------------2---4---5-----------------------------------
-------------2---4---5-----------------------------------------------
--------5------------------------------------------------------------
Eólio 1
--------------------------------------------5---7---9----------------
-------------------------------5---7---9-----------------------------
------------------5---7---8------------------------------------------
-----5---7---8-------------------------------------------------------
Eólio 2
--------------------------------------------4---5---7----------------
----------------------------------5---7------------------------------
--------------------5---7---8----------------------------------------
------5---7---8------------------------------------------------------
Eólio 3
-----------------------------------------2---4---5-------------------
---------------------------2---3---5---------------------------------
-------------2---3---5-----------------------------------------------
--------5------------------------------------------------------------
Lócrio 1
--------------------------------------------5---7---8----------------
-------------------------------5---7---8-----------------------------
------------------5---6---8------------------------------------------
-----5---6---8-------------------------------------------------------
Lócrio 2
--------------------------------------------3---5---7----------------
----------------------------------5---7------------------------------
--------------------5---6---8----------------------------------------
------5---6---8------------------------------------------------------
Lócrio 3
-----------------------------------------2---3---5-------------------
---------------------------1---3---5---------------------------------
-------------1---3---5-----------------------------------------------
--------5------------------------------------------------------------
Modos em 2 oitavas
Jônio
----------------------------------------------------9-/-11---13---14-----
-------------------------4---6---7-/-9---11---12-------------------------
------------4---5---7----------------------------------------------------
---5---7-----------------------------------------------------------------
---14---13---11----------------------------------------------------------
-------------------14---12---11-/-9--------------------------------------
---------------------------------------12--11---9-/-7--------------------
---------------------------------------------------------10---9---7-/-5--
Dórico
----------------------------------------------------9-/-11---12---14-----
-------------------------4---5---7-/-9---10---12-------------------------
----------------5---7----------------------------------------------------
---5---7---8-------------------------------------------------------------
---14---12---11----------------------------------------------------------
-------------------14---12---10-/-9--------------------------------------
---------------------------------------12--10---9-/-7--------------------
---------------------------------------------------------10---8---7-/-5--
Frígio
----------------------------------------------------9-/-10---12---14-----
-----------------------------5---7-/-8---10---12-------------------------
----------------5---7---8------------------------------------------------
---5---6---8-------------------------------------------------------------
---14---12---10----------------------------------------------------------
-------------------14---12---10-/-8--------------------------------------
---------------------------------------12--10---8-/-7--------------------
---------------------------------------------------------10---8---6-/-5--
Lídio
----------------------------------------------------9-/-11---13---14-----
-------------------------4---6---7-/-9---11---13-------------------------
-------------4---6---7---------------------------------------------------
---5---7-----------------------------------------------------------------
---14---13---11----------------------------------------------------------
-------------------14---13---11-/-9--------------------------------------
---------------------------------------12--11---9-/-7--------------------
---------------------------------------------------------11---9---7-/-5--
Mixolílio
----------------------------------------------------9-/-11---12---14-----
-------------------------4---5---7-/-9---11---12-------------------------
-------------4---5---7---------------------------------------------------
---5---7-----------------------------------------------------------------
---14---12---11----------------------------------------------------------
-------------------14---12---11-/-9--------------------------------------
---------------------------------------12--10---9-/-7--------------------
---------------------------------------------------------10---9---7-/-5--
Eólio
----------------------------------------------------9-/-10---12---14-----
-----------------------------5---7-/-9---10---12-------------------------
----------------5---7---8------------------------------------------------
---5---7---8-------------------------------------------------------------
---14---12---10----------------------------------------------------------
-------------------14---12---10-/-9--------------------------------------
---------------------------------------12--10---8-/-7--------------------
---------------------------------------------------------10---8---7-/-5--
Lócrio
----------------------------------------------------8-/-10---12---14-----
-----------------------------5---7-/-8---10---12-------------------------
----------------5---6---8------------------------------------------------
---5---6---8-------------------------------------------------------------
---14---12---10----------------------------------------------------------
-------------------13---12---10-/-8--------------------------------------
---------------------------------------12--10---8-/-6--------------------
---------------------------------------------------------10---8---6-/-5--
Exercício de modos com intervalos:
Jônio, padrão terças:
--------------------------------------------------4------6--4--7--6--9---
-----------------------------4-------6--4--7--6-------7------------------
-------4--------5--4--7--5-------7---------------------------------------
---5-------7-------------------------------------------------------------
----7-------6------------------------------------------------------------
--------9------7--9--6--7-----6------------------------------------------
---------------------------9-----7--9--5--7-----5------------------------
---------------------------------------------9-----7--9--5--7--4—5-------
Jônio, padrão quartas:
-----------------------------------------4-----6-----7-----9-------------
----------------------4------6-----7--4-----6-----7-----9----------------
-------5--------7--4-----5------7----------------------------------------
---5-------7-------------------------------------------------------------
----7-------6------------------------------------------------------------
--------7------6--9-----7-----6------------------------------------------
---------------------9-----7-----5--9-----7-----5-----4------------------
---------------------------------------9-----7-----5---—-4--5------------
Jônio, padrão quintas:
---------------------------------------4--------6-----7-----9------------
----------------4------6-------7-----------4-------6-----7---------------
-------7-----------4-------5-------7-------------------------------------
---5-------7-------------------------------------------------------------
----7-------6-------4----------------------------------------------------
--------6-------4-----------7--------6-------4---------------------------
------------------------7-------5--------4------------7-------5----------
--------------------------------------------------7---—---5-------4---5--
Jônio, padrão sextas:
----------------------4-----6-----7-----9-7----6-------------------------
----4-----6-----7--------------4-----6-------9---7-9---7---6-------------
-------------4-----5-----7---------------------------5---------9---7-----
-5-----7-------------------------------------------------9---7---5---4-5-
Jônio, padrão sétimas:
---------------4---6----7----9-7----6-----4------------------------------
-----6-----7------------------------------------7-----6-----4------------
-------------4---5----7---9------7-----5-----4---------------------------
--5-----7------------------------------------------7---—-5-----4--5------
Capítulo 9: As principais técnicas do Contra-Baixo
Muitos usuários me mandam e-mail perguntando sobre as técnicas para se usar num baixo elétrico. Bom, na verdade existem muitas técnicas a serem utilizadas, mas cabe a mim ressaltar as que considero extremamente fundamentais nesse aprendizado: O Pizzicato e o Slap.
Pizzicato: Consiste em tocar as cordas com os dedos indicador e médio da mão direita para que as notas digitadas na escala com a mão esquerda possam soar. Essa técnica foi decorrente da influência do contrabaixo acústico, entretanto, foi aperfeiçoada por pesquisadores como Jaco Pastorius e Stanley Clark, fazendo com que se tomasse mais popular e peculiar a sonoridade e linguagem musical atual.
Slap: consiste em bater (martelar) nas cordas com o dedo polegar, para dar a intenção de explosão e puxar as cordas com o dedo indicador, para a intenção de estalo. Essa é a única técnica característica do contrabaixo, ou seja, é a única que foi criada especificamente para ser executada no contrabaixo elétrico. Ela se caracteriza por dar uma intenção percurssiva na execução do instrumento e émuito usada em estilos como funk e derivados.
Para aprofundarmos mais sobre esse tema vamos introduzir um assunto aqui que será mais explicado no próximo capitulo: As funções do contra-baixo na música. A primeira delas é a função básica de condução, ou seja, de dar força e peso harmônico e fundamento rítmico; A segunda é a função de instrumento improvisador e executor de melodias (temas); Por fim surge a função de instrumento solo, ou seja, que executa temas (musicas) compostos exclusivamente para o contrabaixo ou que exijam uma atuação predominante e marcante do instrumento.
Por todas essas razões, mire-se nessas definições e realize as duas técnicas explicadas acima com bastante fidelidade ao seu instrumento ok?
Capítulo 10: A Condução e a Execução
Condução
Condução e Execução são duas das funções mais importantes do contra-baixo dentro da música.
Vale lembrar que o baixo se caracteriza na música com a função de conduzir a harmonia e a rítmica, tornando-se o instrumento chave em uma banda.
A condução se dá com a criação de uma linha constituída de notas interrelacionadas com os acordes da harmonia e com uma linha rítmica casada com a percussão.
Os norte-americanos denominam esta condução como Groove; uma linha que permanece igual a cada acorde ou a um grupo de acordes.
Execução
Na execução é sempre bom atenta-se ao fato da dinâmica, da pulsação, do andamento e da harmonia que você precisa manter firme durante a execução.
Nunca sole durante as frases da melodia e mesmo quando sobe, nos intervalos da música e não se esqueça de contar o tempo para voltar ao peso.
O peso é fundamental combinado com a mudança do timbre (botão grave e agudo);
Se a música exigir um acompanhamento com peso durante 100 compassos, não mude o timbre para agudo. Sempre haverá uma oportunidade para mostrar o seu domínio, por isso não se arrisque a solar (improviso) sem saber.
A teoria deve estar junto com a prática e primeiro toque o que a música pede, e se houver espaço coloque a sua interpretação. No baixo só existe sentimento quando está solando, ou seja, o teclado, a guitarra, ou qualquer outro instrumento vai estar fazendo o que os músicos chamam de "Cama", mas quando acabar o solo, o baixo deve voltar a sua posição que é de peso na música
Outra dica importante que forneço é procurar estar junto com a bateria. A peça de referência é o bumbo que basicamente tem a mesma linha de acompanhamento.
Evite usar todas as técnicas que sabe durante o acompanhamento, para não enjoar os ouvidos e lembre-se que a função de qualquer instrumento é de acompanhar algo (instrumento ou voz). NNão fique tentando se destacar sozinho. Pense no conjunto!
Capítulo 10: Os cuidados com seu Contra-Baixo
Estamos nos caminhando para os últimos capítulos do curso, e não poderíamos deixar de fora um assunto de grande importância em nossos estudos: o carinho que você deve ter com seu contra-baixo. De nada adianta você estudar e ralar nos estudos e ter um instrumento completamente fora dos padrões normais.
Abaixo, seguem os tópicos principais que relacionamos para a manutenção de seu instrumento:
Nós baixistas sabemos o quanto custa um jogo novo de cordas. Principalmente se for um contrabaixo de 5 ou 6 cordas ou ainda fretless. Por isso, uma dica para fazer que cordas velhas soem como novas é ferver as cordas. Isso mesmo, parece loucura, mas funciona. Faça o seguinte: ferva mais ou menos um litro d'água com mais ou menos duas colheres de detergente neutro. Retire as cordas do baixo e enrole-as. Coloque-as na panela e deixe ferver por uns quinze minutos. Tire do fogo, jogue fora a mistura velha e enxague as cordas com agua fria limpa. Enxugue e deixe secar num varal. Recoloque as cordas, afine e voilá! Som de cordas novas! Logicamente, o efeito não é tão duradouro quanto o jogo novo, e a corda pode apresentar um pouco de oxidação, dependendo da idade e do numero de fervidas. Mas serve para economizar uma grana.
Esta dica foi ensinada por Paulo X do Sepultura: ao invés de ferver as cordas, o que pode alterar a tensão própria das cordas, usa-se álcool absoluto que é vendido em farmácias. O truque é simples: pega-se um vasilhame de refrigerante 2 litros, coloca-se álcool absoluto (cerca de meio litro), colocam-se as cordas, fecha-se bem a garrafa e agita-se com firmeza por 5 a 10 minutos (como uma coqueteleira). Depois é só enxugar e mandar ver.
Sempre use se um bom lustra-móveis, seja líquido ou spray. Tome cuidado apenas para não cair o líquido dentro dos captadores, pois pode ocorrer oxidação e perda dos mesmos. Se o seu instrumento for esmaltado ou laqueado, uma dica é usar cera automotiva, pois remove bem a sujeira. Mas use a menos agressiva que tiver, como aquela para pinturas metálicas. Para limpar as partes pintadas, pode-se usar shampoos automotivos e ceras de dar brilho automotivas. Para limpar o madeiramento, pode-se utilizar óleo de peroba (na escala) e cera automotivas (no corpo e no braço), as ferragens também podem ser limpas com produtos automotivos.
Uma boa dica para preservação do instrumento é secá-lo muito bem após uma apresentação ou até mesmo um estudo mais demorado, ou se você tem pele oleosa, secar a cada tocada. Uma dica minha é comprar uma flanela ou mesmo uma fralda de pano bem grande, e após o uso, secar o baixo e as cordas com ela. Ao guardar o baixo ou de um dia para o outro, coloque a fralda ou flanela entre o espelho e as cordas, envolvendo-as. Desse modo, o suor e umidade impregnados serão absorvidos, preservando o instrumento.
Bom, depois das dicas fornecidas por nós acima, devemos nos atentar que os cuidados com o instrumento começam com a maneira e o local onde ele é guardado. Se o instrumento for guardado de pé, a melhor maneira de deixá-lo será com a frente para o encosto sem que ele fique muito inclinado, pois desta forma poderá ocorrer alterações no seu mecanismo de torque. Se for guardado deitado, a melhor maneira será de frente para o encosto, pois desta forma o instrumento estára apoiado, por igual, evitando alterações.
Quanto ao local, é importante ter uma temperatura média, pois se a temperatura estiver excedendo de alguma forma, poderá ocorrer alterações no instrumento.
Outra maneira de cuidar do instrumento é mantê-lo sempre limpo, para isso é importante faze-lo da forma correta para não danifica-lo.
Lembre-se sempre: Para manter o instrumento limpo é preciso retirar o pó que fica concentrado nos cantos dos captadores e sob as cordas e também limpar as marcas de dedos que com o tempo vão ofuscando todo o brilho dado pela cera automotiva, para isso, pode-se utilizar um pincel para tirar o pó e uma flanela para limpar as manchas de dedos.
Capítulo 11: Técnica do SLAP
Bom vamos falar de uma técnica bastante usada no contra-baixo e que muitos usuários gostariam de saber: o SLAP.
Retirei as dicas abaixo, de um texto bastante completo da Revista Cover Guitarra de 1997.
``Muitos baixistas associam o slap, suas técnicas e aplicações apenas com ritmos "swingados" (como o funk,etc...) não aproveitando-o para bases mais simples e "retas" de rock. Adiante será dado três exemplos em cima de uma base com os acordes: Am/G (beats 1 e 3 do primeiro compasso) e Dm7/C (beats 1 e 3 do segundo compasso). No primeiro são usados intervalos de oitavas e quintas, no segundo, terças e no terceiro ambos com algumas notas abafadas em cima do "thumb".
Tentem usar essas idéias com outras bases atentando sempre ao tom e ao tempo delas.
T : Thumb (polegar)
P : Pop (puxada com o indicador ou médio)
X : nota abafada (apenas encostando a mão esquerda no braço)

Já nesses exemplos vão algumas dicas de uma aplicação que uso muito que é a mistura de notas ligadas com cordas soltas demonstradas abaixo em três diferentes exemplos todos no tom de MI menor
No exemplo 1 foi usado o ligado da corda solta para certas notas tocando em seguida as mesmas em thumb e depois alternando com suas oitavas , experimentem com outros intervalos.
No exemplo 2 foi ligado cordas soltas com notas da escala pentatônica de mi alternando sempre com a corda solta sol., tentem com outras escalas ou em outros tons.
No exemplo 3 foi pensado no "bordão" ou "power chord" que são os acordes básicos sem terças em vários lugares alternando cada nota com sua respectiva corda solta, usem outros desenhos de acordes e procurem deixar soar o som de cada nota para dar uma maior consistência na soma delas.
T : Thumb (polegar)
P : Pop (puxada com o indicador ou médio)
X : nota abafada (apenas encostando a mão esquerda no braço)

Seguindo a linha das idéias passadas anteriormente será dado mais exemplos só que numa divisão de tempo mais difícil de executar que são as sextinas (pela velocidade e porque realmente soam diferente nestes casos).
No exemplo 1 em mi menor apenas desce as notas dos "bordões" alternando com cordas soltas, já no exemplo 2 faço o mesmo só que subindo notas dos acordes Em , D e C7M sempre alternando com cordas soltas.
No exemplo 3 foi trasncrito um trecho da música SLAPJACK de meu disco EXPRESS que exemplifica muito bem esse tipo de aplicação pensando nesse caso no acorde E7 e ao invés de alternando com corda solta, usando o ligado da sexta para sétima e da terça menor para terça maior (intenção blues) em pop.
Procurem fazer frases também pensando em outros intervalos.
T : Thumb (polegar)
P : Pop (puxada com o indicador ou médio)
X : nota abafada (apenas encostando a mão esquerda no braço)
Capítulo 12: Dicas finais do Curso
Chegamos a parte final do curso e vocês podem achar pouco o que demos até agora, mas isso trata-se de um mini-curso com a finalidade única de abastecer a todos apenas com informações sucintas deste aprendizado.
Portanto, caso vocês necessitem de mais informações, sugiro que se mantenham atualizados seja através de um bom professor ou através de uma Escola de Música. Vamos falar nesse último capitulo de alguns tópicos importantes.
Vamos a eles:
Comparando Valvula a Transistor
O amplificador valvulado quando submetido a alto volume, saturação ou o chamado overdrive, produz um efeito que torna o som rico e quente devido a produção de harmônicos genuínos. Este tipo de amplificador precisa de alguns minutos para atingir uma temperatura de funcionamento, pelo seguinte fato: a válvula precisa que suas partes internas se aqueçam a fim de produzir o fenômeno eletrônico da amplificação. Os valvulados contam por este motivo, de uma chave auxiliar que desliga as voltagens altas das válvulas, por outro lado mantendo as baixas voltagens ligadas. Esta chave deve estar acionada antes de se ligar a chave principal, pois atua como um pré-estágio de aquecimento.
Já os amplificadores transistorizados, quando trabalhados em alto volume, produzem uma alta quantidade de harmônicos falsos, resultando no que é chamado de som ardido, desagradável, mas quando é usado em baixo volume, obtém-se um ótimo resultado, o timbre é limpo e claro. Transistorizados não precisam de uma aquecimento prévio, pois podem trabalhar normalmente logo que são ligados.
Amplificadores
Todo instrumento elétrico precisa de amplificação para aumentar o sinal elétrico que gera quando é tocado, pois o sinal é muito baixo para se ligar diretamente num alto falante. Aí é que entra a necessidade do uso da amplificação, o amplificador aumenta o sinal gerado pelo instrumento e envia ao alto falante.
Amplificadores operam de duas maneiras: pelo uso de válvulas ou pelo uso de transistores. Em cada caso as características timbrísticas são diferentes.
Os amplificadores são projetados para reproduzir o sinal gerado pelo instrumento com alto grau de precisão, este é o significado do que é chamado de som de alta fidelidade (hi-fi).
! ATENÇÃO !
Antes de estudar é preciso ter me mente que é preciso aprender a estudar, pois qualquer estudo feito com concentração e consciência por mais curto que seja, será mais proveito do que um estudo longo, porém dispersivo, sem atenção devida.
Regra I: Use sempre metrônomo, é importante para manter a pulsação, ajuste o metrônomo de maneira a tocar os exercícios sem erro e de forma confortável.
Regra II: Organize seus estudos, mantenha sempre um objetivo, escreva um tempo determinado para cada ponto do estudo, ex: 15 minutos para estudar escalas, 15 para exercícios, sempre entre uma matéria e outra de 3 a 5 minutos de descanso para você mesmo, "não caia no erro de ficar o tempo todo executando aquele Slap do fulano de tal, que você não vai usar em música alguma.
Regra III: Lembre-se que embora você sendo baixista, a linha de estudo que se deve seguir é o da música em sua totalidade, pois quando se está num grupo musical existem outras pessoas executando música em instrumentos diversos, por mais que você conheça o baixo e as técnicas do baixo, será necessário conhecer e conversar "música", a idéia é fazer música com seu baixo e não tocar baixo com sua música. Para tanto devemos considerar o estudo da teoria musical como algo imprescindível para qualquer instrumentista.
Regra IV: Toque sempre devagar!!! Os exercícios são para fazer com que você fique preciso e para o som das notas executadas saiam de forma perfeitas, não tente impressionar com o que as "suas mãos" podem fazer, não estamos estudando malabarismo, e sim música. Quando tocamos devagar, damos chance ao nosso cérebro decorar aquele caminho, a velocidade virá decorrente disto. "conselho prático".
Regra V: O estudo pode ser dividido em três partes importantes, "estude com um professor", "estude em casa sozinho", aplique o que você estudou em grupo.
Uma boa idéia e você competir com você mesmo, tente ser melhor e ter mais conhecimento a cada etapa, isto fará com que você progrida de forma acentuada no estudo da música e do contra-baixo.
"Anote datas e andamentos (Metrônomo) para perceber a evolução"
Um grande abraço à todos, e bom estudo !
Marcus Vinicius
Dúvidas, sugestões: